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O Livro de Enoque é confiável?

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Santana
Pr. Edvaldo Santana
6 de out.
2 min de leitura

Essa é uma questão muito importante e sensível quando tratamos do livro atribuído a Enoque. Suas tradições textuais possuem testemunhos históricos reais encontrados em Qumran, descobertos a partir de 1947, entre os Manuscritos do Mar Morto.

Foram encontrados diversos manuscritos e fragmentos relacionados a 1 Enoque, preservados principalmente em aramaico. Entre eles estão os manuscritos catalogados como 4Q201, 4Q202, 4Q204, 4Q205, 4Q206, 4Q207 e 4Q212. Também foram identificados quatro manuscritos relacionados ao chamado Livro Astronômico de Enoque, catalogados como 4Q208–4Q211. A pesquisa acadêmica considera esses testemunhos parte importante do corpus enóquico encontrado em Qumran.

Esses achados são relevantes porque demonstram que tradições atribuídas a Enoque circulavam no período do Segundo Templo. Entretanto, existe uma distinção fundamental que não pode ser ignorada: a existência de manuscritos antigos não comprova, por si só, que o patriarca Enoque tenha sido o autor do material, muito menos que o conteúdo tenha origem em inspiração divina.


Estudo recente utilizando inteligência artificial - Datação paleográfica e carbono 14

Os fragmentos de Qumran foram submetidos a diferentes métodos de investigação, entre eles a paleografia e a datação por carbono 14.

Paleografia é o estudo da escrita antiga. Por meio da comparação das características das letras, de sua evolução e de outros elementos gráficos, os pesquisadores procuram estabelecer períodos aproximados para a produção dos manuscritos.

Além disso, a datação por carbono 14 constitui uma ferramenta independente para estimar a idade do material orgânico utilizado nos manuscritos.

Em 4 de junho de 2025, a revista científica PLOS ONE publicou um estudo intitulado Dating ancient manuscripts using radiocarbon and AI-based writing style analysis. Os pesquisadores apresentaram um modelo de inteligência artificial denominado Enoch, treinado com amostras de manuscritos previamente submetidas à datação por carbono 14. O modelo foi posteriormente aplicado a 135 manuscritos não datados dos Manuscritos do Mar Morto.

Segundo os autores, as estimativas produzidas pelo modelo apresentaram concordância de 79% com a avaliação paleográfica posterior realizada por especialistas. O estudo também concluiu que as estimativas obtidas por carbono 14 e pelo modelo de IA frequentemente apontavam para datas mais antigas do que algumas estimativas paleográficas tradicionais.

É importante, porém, compreender exatamente o que essa pesquisa demonstra.

O modelo Enoch não determina quem escreveu determinado manuscrito e não determina se um texto é divinamente inspirado. Sua finalidade é auxiliar na estimativa cronológica dos manuscritos a partir de características físicas e gráficas. Portanto, seus resultados podem contribuir para a discussão sobre a antiguidade dos documentos, mas não resolvem a questão da autoria ou da inspiração religiosa.

 
 
 

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