O Livro de Enoque é confiável? Três pontos para reflexão


No livro Advertência Final aos Pastores, apresento pontos que requerem atenção acerca desse manuscrito, possibilitando múltiplas reflexões para você, defensor desse livro.
Mas, antecipando a sua reflexão, disponibilizarei alguns pontos aqui para você examinar sem paixões.
1. Ele não aponta para o Calvário
O primeiro ponto que considero fundamental é a ausência de uma centralidade explícita no Calvário e na obra redentora realizada por YESHUA HAMASHIACH.
Porque qualquer escritura que não aponte para o Calvário deve ser tratada, pelo cristão autêntico, com extrema cautela e confrontada com o centro da revelação das Escrituras. O centro das Escrituras é a obra redentora de YESHUA no Calvário. Não existe meio-termo.
O próprio YESHUA declarou: “Quem não é Comigo é contra Mim; e quem Comigo não ajunta espalha.”
Portanto, não podemos tratar como secundária a questão de para onde determinado texto conduz o leitor. Se a mensagem não converge para a redenção, para o arrependimento e para a obra do MASHIACH, precisamos investigar profundamente sua origem e sua finalidade.
2. Não aponta para a redenção perpetrada por YESHUA
O livro atribuído a Enoque fala do Filho do Homem, expressão que possui conexão importante com a linguagem profética encontrada em Ezequiel e, posteriormente, com a maneira como YESHUA utiliza essa expressão a respeito de Si mesmo.
Esse é um ponto que merece investigação séria.
Entretanto, a presença da expressão “Filho do Homem” não resolve a questão da origem do livro.
O que precisamos perguntar é: para onde o texto conduz o leitor?
Ele conduz ao Calvário? Apresenta a necessidade da redenção?
Conduz o homem ao arrependimento e à reconciliação com o ETERNO por meio do MASHIACH?
É exatamente nesse ponto que identifico uma deficiência fundamental e, dentro da minha análise teológica, uma possível influência de um ser espiritual antagônico a YESHUA.
3. A exaltação da grandeza humana e angelical
O manuscrito atribuído a Enoque apresenta uma ênfase significativa na grandeza humana e angelical, mas não estabelece a mesma centralidade na renúncia ao pecado, na necessidade do arrependimento e na redenção impetrada pelo MASHIACH no Calvário.
Também considero necessário observar a questão da Glória.
A quem verdadeiramente pertence toda a Glória?
As Escrituras conduzem o homem à glorificação do ETERNO. O centro da revelação bíblica não é a exaltação da criatura, mas a Glória do CRIADOR e a redenção realizada por meio do MASHIACH.
Esses são pontos que, para quem examina as Escrituras sem as amarras religiosas e procura permanecer sensível à voz do ESPÍRITO SANTO, podem revelar a existência de uma influência sutil por trás desse manuscrito.
Dentro da minha análise teológica, suspeito que essa influência seja do próprio hásatan.
E é justamente por isso que defendo que ele não foi escrito por Enoque, apesar de ter sido propagado com atribuição proposital a ele.
A pergunta é: a quem interessa esse manuscrito?
Que interesses estão por trás de uma tradição que, em minha análise, nutre elementos que podem ser relacionados ao gnosticismo, à Cabala e a outros sistemas ou manuscritos esotéricos?
Essa é uma pergunta que não pode ser ignorada.
Um problema histórico que não pode ser ignorado
O anacronismo histórico, em minha análise, é muito grande.
Também considero necessária uma investigação cuidadosa sobre possíveis aproximações com conceitos que, em períodos posteriores, seriam associados a correntes gnósticas e místicas.
Não afirmo que essas correntes posteriores tenham necessariamente produzido o texto de Enoque. A questão é mais profunda: determinados elementos precisam ser examinados historicamente para verificar se pertencem realmente ao horizonte cultural atribuído ao período mais antigo ou se refletem desenvolvimentos posteriores da tradição.
Essa investigação é indispensável porque não podemos transportar categorias religiosas posteriores para um período anterior sem demonstrar historicamente como ocorreu essa transmissão.
O segredo de um livro está na sua fonte inspiradora.
Nunca podemos ignorar isso.
Um manuscrito pode ser antigo.
Pode ser preservado em milhares de cópias.
Pode ser estudado por universidades.
Pode ser defendido por teólogos.
Pode até ser considerado canônico por determinada tradição religiosa.
Mas nenhuma dessas coisas, isoladamente, responde à pergunta fundamental sobre sua origem espiritual.
Por isso, eu pergunto a você, defensor deste livro:
Qual é a fonte inspiradora desse manuscrito?
Quem realmente escreveu?
Quem realmente transmitiu essas revelações?
Qual é a origem das informações apresentadas?
E, principalmente: Essas informações estão em harmonia com as Escrituras ou entram em rota de colisão com elas?
Essas perguntas precisam ser respondidas antes que qualquer pessoa atribua autoridade espiritual ao texto simplesmente porque ele é antigo.
Uma advertência final ao leitor
No livro Advertência Final aos Pastores, disponibilizamos um resumo acerca da queda de Heylel e da refutação que fazemos ao manuscrito apócrifo atribuído a Enoque, bem como de suas discrepâncias com as Escrituras e com acontecimentos históricos, quando analisamos profundamente as Escrituras desde Adão até a Torre de Babel, sob a iluminação do ESPÍRITO SANTO.
Minha proposta não é negar que os manuscritos existam. Eles existem.
Não é negar que sejam antigos. As evidências demonstram sua antiguidade.
A questão é outra e muito mais profunda: A antiguidade de um manuscrito não pode ser utilizada como substituto da verdade das Escrituras.
Até porque existe um antagonista real, explícito e revelado. O próprio YESHUA demonstrou isso quando repreendeu Pedro, dizendo: “Para trás de Mim, hásatan!” (Mt 16:23).
Naquele episódio, YESHUA deixou evidente que, por trás de determinadas palavras humanas, pode existir uma influência espiritual que não procede do ETERNO. O problema, portanto, não está apenas nas palavras que os homens pronunciam, mas também naquilo que pode estar por trás delas.
E é exatamente nesse ponto que começa a verdadeira investigação.




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