top of page

O Livro de Enoque é confiável? Um ponto fundamental

Foto do escritor: Pr. Edvaldo Santana
Pr. Edvaldo Santana
6 de out.
2 min de leitura

O fato de um manuscrito ser antigo não significa que ele tenha sido escrito pelo personagem ao qual foi atribuído. Tampouco significa que seu conteúdo seja inspirado pelo ETERNO.

Fato é que o material atribuído a Enoque possui uma história textual antiga e testemunhos manuscritos reais. As evidências de Qumran demonstram que tradições enóquicas circulavam no período do Segundo Templo.

Mas isso não responde, por si só, à pergunta fundamental: Quem realmente escreveu esse material e qual é a sua fonte de inspiração?

Antiguidade não é sinônimo de autenticidade. Muito embora vivamos em uma época marcada por manipulação de informações, considero razoável que sejam realizadas perícias independentes e imparciais sobre as informações apresentadas. Afinal, alguém pode ter interesse em legitimar determinado manuscrito ou determinada interpretação histórica.

E, quando estão envolvidos interesses relacionados a um manuscrito que, na análise que apresento, antagoniza as Escrituras, toda a atenção precisa ser redobrada.

Não estou questionando a existência dos fragmentos de Qumran. Eles existem.

Não estou questionando o fato de serem antigos. As pesquisas arqueológicas e científicas demonstram sua antiguidade.

A questão é outra.

Antiguidade comprova autoria? Antiguidade comprova inspiração divina?

A preservação de uma tradição durante séculos transforma automaticamente essa tradição em Escritura?

A resposta, dentro da perspectiva que apresento, é não.

Verdadeiramente, foi Enoque quem escreveu esses manuscritos?

Essa é uma das perguntas centrais. Os manuscritos encontrados em Qumran são cópias fragmentárias de tradições atribuídas a Enoque. A própria literatura acadêmica os identifica como uma tradição pseudepigráfica que atribui ao patriarca antediluviano uma série de revelações e visões.

Portanto, precisamos separar duas questões: Uma coisa é perguntar quando determinado manuscrito foi copiado. Outra, completamente diferente, é perguntar quando o conteúdo nele preservado foi originalmente composto e quem realmente o produziu.

E existe ainda uma terceira questão: Esse conteúdo possui origem divina?

É justamente nessa terceira questão que minha crítica se concentra: A questão da fonte inspiradora

Em relação a esse manuscrito atribuído a Enoque, escrevi um livro específico tratando dessa questão: A Queda de Heylel e uma Refutação ao Livro de Enoque.

Nessa obra, eu explico o fundamento histórico e as bases escriturísticas da minha análise, segundo a qual, a fonte originária da inspiração do livro atribuído a Enoque não é divina.

Muito embora seja um livro que, na tradição da Igreja Ortodoxa Tewahedo da Etiópia, esteja incluído em seu cânon, e muito embora teólogos, pastores, arqueólogos, historiadores e pesquisadores em universidades estudem esse material, isso não encerra a questão da sua autoridade espiritual.

A tradição etíope preservou o Primeiro Livro de Enoque integralmente em Ge'ez, enquanto os testemunhos encontrados em Qumran são fragmentários e estão entre as evidências mais antigas da tradição textual enóquica.

Mas uma pergunta permanece: o fato de uma comunidade religiosa reconhecer um texto como canônico é suficiente para demonstrar que ele realmente procede do ETERNO?

Na minha análise, não. Existe, para mim, um antagonismo frontal entre determinados conteúdos desse manuscrito e as Escrituras. Ele não complementa a Escritura; ele a antagoniza.

Ignorar essa questão, dentro da perspectiva que apresento, é ignorar aquilo que considero ser as revelações do ESPÍRITO SANTO acerca desse assunto.



 
 
 

Comentários


bottom of page