O Livro de Enoque é confiável? Um ponto fundamental


O fato de um manuscrito ser antigo não significa que ele tenha sido escrito pelo personagem ao qual foi atribuído. Tampouco significa que seu conteúdo seja inspirado pelo ETERNO.
Fato é que o material atribuído a Enoque possui uma história textual antiga e testemunhos manuscritos reais. As evidências de Qumran demonstram que tradições enóquicas circulavam no período do Segundo Templo.
Mas isso não responde, por si só, à pergunta fundamental: Quem realmente escreveu esse material e qual é a sua fonte de inspiração?
Antiguidade não é sinônimo de autenticidade. Muito embora vivamos em uma época marcada por manipulação de informações, considero razoável que sejam realizadas perícias independentes e imparciais sobre as informações apresentadas. Afinal, alguém pode ter interesse em legitimar determinado manuscrito ou determinada interpretação histórica.
E, quando estão envolvidos interesses relacionados a um manuscrito que, na análise que apresento, antagoniza as Escrituras, toda a atenção precisa ser redobrada.
Não estou questionando a existência dos fragmentos de Qumran. Eles existem.
Não estou questionando o fato de serem antigos. As pesquisas arqueológicas e científicas demonstram sua antiguidade.
A questão é outra.
Antiguidade comprova autoria? Antiguidade comprova inspiração divina?
A preservação de uma tradição durante séculos transforma automaticamente essa tradição em Escritura?
A resposta, dentro da perspectiva que apresento, é não.
Verdadeiramente, foi Enoque quem escreveu esses manuscritos?
Essa é uma das perguntas centrais. Os manuscritos encontrados em Qumran são cópias fragmentárias de tradições atribuídas a Enoque. A própria literatura acadêmica os identifica como uma tradição pseudepigráfica que atribui ao patriarca antediluviano uma série de revelações e visões.
Portanto, precisamos separar duas questões: Uma coisa é perguntar quando determinado manuscrito foi copiado. Outra, completamente diferente, é perguntar quando o conteúdo nele preservado foi originalmente composto e quem realmente o produziu.
E existe ainda uma terceira questão: Esse conteúdo possui origem divina?
É justamente nessa terceira questão que minha crítica se concentra: A questão da fonte inspiradora
Em relação a esse manuscrito atribuído a Enoque, escrevi um livro específico tratando dessa questão: A Queda de Heylel e uma Refutação ao Livro de Enoque.
Nessa obra, eu explico o fundamento histórico e as bases escriturísticas da minha análise, segundo a qual, a fonte originária da inspiração do livro atribuído a Enoque não é divina.
Muito embora seja um livro que, na tradição da Igreja Ortodoxa Tewahedo da Etiópia, esteja incluído em seu cânon, e muito embora teólogos, pastores, arqueólogos, historiadores e pesquisadores em universidades estudem esse material, isso não encerra a questão da sua autoridade espiritual.
A tradição etíope preservou o Primeiro Livro de Enoque integralmente em Ge'ez, enquanto os testemunhos encontrados em Qumran são fragmentários e estão entre as evidências mais antigas da tradição textual enóquica.
Mas uma pergunta permanece: o fato de uma comunidade religiosa reconhecer um texto como canônico é suficiente para demonstrar que ele realmente procede do ETERNO?
Na minha análise, não. Existe, para mim, um antagonismo frontal entre determinados conteúdos desse manuscrito e as Escrituras. Ele não complementa a Escritura; ele a antagoniza.
Ignorar essa questão, dentro da perspectiva que apresento, é ignorar aquilo que considero ser as revelações do ESPÍRITO SANTO acerca desse assunto.




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